quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Aos amigos da CBF: Cadê o Bom Senso?

As atitudes do Bom Senso F.C. na noite desta quarta-feira são grandiosas pelo futebol brasileiro. Sem precedentes, tem tudo para modificar mesmo a centralização política da nossa "pelota".

Nos jogos das 19:30, jogadores entraram portando faixas com os dizeres "Por um futebol melhor para todos". Ao vivo no Bate Bola da ESPN, o advogado do grupo, João Henrique Chiminazzo, contava como os atletas decidiram pela forma - sempre dentro da lei - dos protestos que estavam por vir.

A grande surpresa de todos, entretanto(menos de Chiminazzo, que sabiamente esperou o momento), foi, ao apito de início de jogo do árbitro, o cruzar dos braços de todos os jogadores em campo. E o tempo rolando.

1 minuto de paralisação, pelo bem do futebol.

Jogadores de Grêmio e Vasco protestam com os braço cruzados (Foto: espn.com.br )

Meus sentimentos se misturavam ao assistir, elétrico, a história sendo escrita.

Mas claro, como todo ação tem uma reação, alguns dirigentes já "mexeram os pauzinhos" contra os protestos dessa noite.

Jogos em todo o país tiveram protesto essa noite. (Foto: Divulgação Bom Senso FC)


Nas partidas das 21h e das 21:50, alguns árbitros foram notificados à mostrar o cartão amarelo para aqueles que tivessem a "atitude anti-desportiva" do ficar um minuto parado. A mais imbecil das desculpas que ouvi hoje. Na partida entre São Paulo e Flamengo, os jogadores rolaram a bola, e trocaram chutões de um lado à outro do gramado. Um excelente forma de fugir da retaliação que veio de cima.

Mas dizer que qualquer retaliação não era esperada é assinar o atestado de burrice. Mais importante que isso é notar que a ferida foi tocada.

O pior de tudo, além de todo o pior, é ver a atitude de narradores tentando levar o assinante, ouvinte, leitor à não entender o que, de fato, estava acontecendo. Realmente, como jornalista, estes me enojam.

Um minuto de silêncio daqui, entrevistas extras ali, imagens da torcida pra lá, e tudo isso com o relógio contando cada segundo.

Ainda há muito o que fazer. Mas se a CBF não tomar partido definitivo após esta segunda atitude em campo dos atletas, vejo um futuro um tanto quanto "especial" para o mundo da bola.